O Simples Nacional híbrido permite manter a empresa no Simples e calcular a CBS e o IBS por fora da guia única de imposto. A opção fica aberta no mês de setembro e produz efeito a partir de janeiro de 2027.
Para o médico, essa escolha começa como uma questão comercial, porque muda o crédito que o hospital, a operadora ou a clínica contratante recebem na sua nota fiscal. O efeito sobre o imposto da sua empresa vem depois disso.
A Focc é uma contabilidade especializada na área da saúde, com mais de 300 profissionais, consultórios e clínicas atendidos. Vamos explicar por que o Simples Nacional híbrido existe, para quem ele compensa e como simular antes de optar.
O que é o Simples Nacional híbrido para o médico?
O Simples Nacional híbrido mantém a sua empresa no Simples, mas tira a CBS e o IBS da guia única de imposto, que passam a ser calculados por fora, pelas regras aplicadas às empresas que não estão no Simples.
Você continua optante, com o mesmo limite de faturamento e as mesmas obrigações do regime. A escolha é conjunta, então os dois tributos saem juntos ou ficam juntos.
Leia mais: [Reforma tributária para o médico: o Simples Nacional dividido em dois]
Por que o Simples Nacional híbrido foi criado?
Porque a empresa do Simples interrompia a cadeia de crédito de quem comprava dela, e isso reduzia a competitividade do prestador menor diante do contratante grande.
Na lógica dos tributos novos, o imposto pago em cada etapa gera crédito para a etapa seguinte. A empresa que recolhe tudo dentro de uma guia única transfere para o contratante apenas parte desse crédito.
O híbrido foi criado para dar a essa empresa a possibilidade de destacar o valor cheio, sem precisar abrir mão do Simples.
O que muda na nota fiscal do médico que escolhe o híbrido?
A CBS e o IBS passam a ser destacados na nota, com o valor integral que o contratante aproveita como crédito.
No Simples puro, o contratante aproveita somente a fatia desses tributos embutida na sua alíquota, que é bem menor.
O valor que você cobra pelo serviço não muda por causa disso. O que muda é o custo final para quem recebe a sua nota.
Por que o hospital prefere contratar um médico que está no Simples híbrido?
Porque o hospital compara prestadores pelo custo depois do crédito, e a nota do médico no híbrido devolve mais crédito para ele.
Dois plantonistas que cobram o mesmo valor podem custar diferente para a mesma instituição. A diferença fica no crédito que cada nota carrega.
Isso alcança contrato de plantão, sociedade de médicos que fatura para terceiros e clínica que presta serviço dentro de estrutura hospitalar.
O que muda na rotina da empresa do médico que escolhe o híbrido?
Sua empresa passa a apurar a CBS e o IBS separadamente, com obrigação acessória própria e com direito ao crédito das compras da clínica.
A guia única continua existindo, com a alíquota reduzida na parcela correspondente a esses dois tributos.
Equipamento, material, aluguel de empresa e serviço terceirizado passam a gerar desconto no imposto devido, o que não acontece no Simples puro.
O médico que escolhe o híbrido paga menos imposto?
Não necessariamente, porque o híbrido não garante alíquota menor, ele muda a forma de calcular e abre o crédito das compras.
O ganho vem do crédito cheio que você entrega ao contratante, que mantém o seu preço competitivo, e do crédito das compras da sua empresa, que reduz o imposto devido.
Sem faturamento para empresas e sem volume relevante de compras tributadas, a conta tende a ficar pior do que no Simples puro.
Que tipo de médico não deve escolher o Simples híbrido?
O médico que fatura para paciente pessoa física não deve escolher o híbrido, porque pessoa física não aproveita crédito de CBS nem de IBS.
Consultório particular e clínica que atende só o paciente final ficam nesse grupo, e o esforço de apurar por fora não traz retorno comercial nenhum.
A clínica com pouca compra tributada também tende a perder, porque assume uma apuração nova sem crédito suficiente para compensar o trabalho.
Como o médico simula se o Simples híbrido compensa?
A simulação cruza quatro informações da sua empresa, e nenhuma delas é o faturamento sozinho.
- Fatia do faturamento que vem de empresas, como hospital, operadora e clínica contratante.
- Regime dos seus contratantes, porque só a empresa fora do Simples aproveita o crédito integral.
- Compras com imposto destacado, como equipamento, material, aluguel de empresa e serviço terceirizado.
- Projeção até 2033, já que a CBS começa a ser cobrada em 2027 e o IBS substitui o ISS aos poucos.
Sem esses quatro dados, a escolha fica no palpite, e ela não pode ser desfeita depois de novembro.
O médico precisa renegociar contrato depois de escolher o híbrido?
Precisa revisar os contratos, porque o valor destacado na nota muda e alguns acordos já preveem reajuste quando a regra tributária se altera.
Converse com o hospital ou com a operadora antes da virada do ano, para que a mudança no documento fiscal não chegue como surpresa no primeiro faturamento de 2027.
Contrato antigo, sem cláusula sobre tributo, costuma exigir aditivo.
Até quando o médico pode escolher o Simples híbrido?
A opção é feita entre 1º e 30 de setembro de 2026, no Portal do Simples Nacional, e produz efeito no primeiro semestre de 2027.
Você pode cancelar até o fim de novembro de 2026, e a partir daí a opção se torna irretratável para o período. Existe uma segunda janela em março de 2027, com efeito no segundo semestre daquele ano.
Quanto o médico perde de imposto recebendo como pessoa física?
Recebendo como pessoa física, você é isento de Imposto de Renda até R$ 5.000 por mês, e acima disso a alíquota sobe pela tabela progressiva até 27,5%.
| Rendimento no mês | Imposto de Renda |
|---|---|
| Até R$ 5.000 | Isento |
| De R$ 5.000,01 a R$ 7.350 | Redução parcial, decrescente conforme a renda sobe |
| Acima de R$ 7.350 | Tabela progressiva, até 27,5% |
Desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270/2025, essas são as três faixas do carnê-leão. Além do Imposto de Renda, você recolhe 20% de INSS como autônomo, até o teto.
Uma empresa bem estruturada costuma ficar bem abaixo disso. Em medicina, o Simples parte do Anexo V, a tabela mais cara, que começa em 15,5%, e o Fator R reduz para o Anexo III, que começa em 6%, quando folha e pró-labore somam pelo menos 28% da receita. A escolha pelo Simples Nacional híbrido só faz sentido depois que o CNPJ está estruturado.
Como a Focc ajuda o médico a decidir sobre o Simples Nacional híbrido?
A escolha pelo Simples Nacional híbrido tem prazo em setembro, efeito até 2033 e nenhuma chance de correção depois de novembro. Somos uma contabilidade especializada na área da saúde, com mais de 300 profissionais, consultórios e clínicas atendidos.
Levantamos o perfil do seu faturamento, simulamos os dois caminhos com os seus números e registramos a opção dentro da janela. Faça um diagnóstico conosco.