Fake ou Fato: a reforma tributária acaba com a equiparação hospitalar?

Fake ou Fato: a reforma tributária acaba com a equiparação hospitalar?

A reforma tributária substitui PIS, Cofins e ISS pela CBS e pelo IBS, e muita clínica entendeu que todos os benefícios do setor caem junto. A equiparação hospitalar é a dúvida mais frequente, porque ela é o enquadramento que mais reduz imposto de clínica no Lucro Presumido.

Para responder a essa dúvida, o que importa é saber qual imposto a equiparação hospitalar alcança. O benefício e a reforma agem em camadas diferentes da mesma conta.

A Focc é uma contabilidade especializada na área da saúde, com mais de 300 profissionais, consultórios e clínicas atendidos. Vamos explicar por que o benefício continua valendo, quanto ele reduz no cálculo do imposto e quais requisitos a sua clínica precisa cumprir.

O que acontece com a equiparação hospitalar depois da reforma tributária?

Mito. A equiparação hospitalar continua valendo, porque ela reduz a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, que incidem sobre o lucro, enquanto a reforma substitui tributos que incidem sobre o faturamento.

PIS, Cofins e ISS são trocados pela CBS e pelo IBS. O IRPJ e a CSLL continuam como estão, e o benefício continua atuando sobre eles.

Nenhuma norma da reforma alterou o dispositivo que criou a equiparação hospitalar.

Leia mais: [Reforma tributária para o médico: o Simples Nacional dividido em dois](INSERIR LINK DO ARTIGO)

O que é a equiparação hospitalar no Lucro Presumido?

É o enquadramento que faz a clínica calcular o imposto como um hospital, com a base de cálculo do IRPJ caindo de 32% para 8% do faturamento e a da CSLL caindo para 12%.

A previsão está na Lei 9.249/1995, e o que define o direito é o serviço prestado pela clínica.

A alíquota dos dois tributos não muda. O que diminui é a fatia do faturamento que o governo considera como lucro para calcular o imposto devido.

Quanto a clínica paga de imposto com e sem a equiparação hospitalar?

Sem o benefício, a carga fica entre 13,33% e 16,33% do faturamento; com ele, entre 7,93% e 10,93%, conforme o ISS do município.

TributoSem equiparaçãoCom equiparação
IRPJ4,80%1,20%
CSLL2,88%1,08%
PIS e COFINS3,65%3,65%
ISS2% a 5%2% a 5%
Total13,33% a 16,33%7,93% a 10,93%

O IRPJ e a CSLL somados caem de 7,68% para 2,28% do faturamento, uma redução de cerca de 70% nesses dois tributos. PIS, Cofins e ISS continuam iguais, porque o benefício não alcança nenhum deles.

Sobre um faturamento de R$ 200 mil por mês, essa diferença chega a R$ 10.800 por mês em imposto federal.

Por que a equiparação hospitalar ficou mais valiosa com a reforma tributária?

Porque a carga sobre o faturamento tende a subir para todas as empresas, e a redução sobre o lucro continua inteira.

A clínica que cumpre os requisitos entra no novo sistema com uma vantagem que a concorrente sem enquadramento não tem, e essa vantagem independe de crédito e de escolha de regime.

Quanto maior o imposto que incide sobre o faturamento, maior o valor relativo do benefício que ficou de fora da reforma.

A clínica pode somar a equiparação hospitalar com o crédito de CBS e IBS?

Pode somar, porque um reduz a base do imposto sobre o lucro e o outro abate o imposto que incide sobre o faturamento.

A clínica com estrutura de exame, equipamento e material tributado acumula crédito de CBS e IBS e mantém a redução no IRPJ e na CSLL ao mesmo tempo.

Somar os dois é o cálculo que mais reduz imposto para clínica de médio porte no Lucro Presumido.

Quais requisitos a clínica precisa cumprir para ter a equiparação hospitalar?

A clínica precisa ser uma sociedade empresária registrada na Junta Comercial e cumprir as normas sanitárias da Anvisa aplicáveis ao serviço que presta.

A consulta médica sem estrutura fica de fora. O benefício alcança procedimento, exame e atendimento com estrutura própria, e o Superior Tribunal de Justiça já firmou que o direito se define pela atividade prestada, não pelo porte do estabelecimento.

Sociedade simples registrada em cartório não atende ao requisito, e a transformação em sociedade empresária precisa acontecer antes do enquadramento.

A clínica que está no Simples Nacional tem direito à equiparação hospitalar?

Não, porque a equiparação atua sobre a base do Lucro Presumido, e no Simples o imposto é calculado sobre o faturamento pela tabela do próprio regime.

Clínica com estrutura e faturamento relevante às vezes paga menos no Lucro Presumido com equiparação do que no Simples, e esse comparativo precisa ser feito antes de manter o enquadramento por mais um ano.

A clínica consegue recuperar o imposto pago a mais nos anos anteriores?

Consegue, respeitado o prazo de cinco anos contados de cada recolhimento.

A revisão analisa as apurações já entregues e identifica quanto foi pago acima do devido no período em que a clínica já cumpria os requisitos.

O valor apurado é usado para compensar tributos federais, o que devolve caixa sem depender de processo judicial na maior parte dos casos.

Quanto o médico perde de imposto recebendo como pessoa física?

Recebendo como pessoa física, você é isento de Imposto de Renda até R$ 5.000 por mês, e acima disso a alíquota sobe pela tabela progressiva até 27,5%.

Rendimento no mêsImposto de Renda
Até R$ 5.000Isento
De R$ 5.000,01 a R$ 7.350Redução parcial, decrescente conforme a renda sobe
Acima de R$ 7.350Tabela progressiva, até 27,5%

Desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270/2025, essas são as três faixas do carnê-leão. Além do Imposto de Renda, você recolhe 20% de INSS como autônomo, até o teto.

Entre os 27,5% da pessoa física e os 7,93% de uma clínica equiparada está a maior diferença de imposto que existe na área da saúde, e ela depende de estrutura societária, não de sorte.

Como a Focc analisa se a clínica tem direito à equiparação hospitalar?

A equiparação hospitalar continua de pé depois da reforma tributária, mas ela só vale para quem cumpre os requisitos e comprova isso. Somos uma contabilidade especializada na área da saúde, com mais de 300 profissionais, consultórios e clínicas atendidos.

Analisamos a estrutura da sua clínica, o contrato social e os serviços prestados, calculamos a economia com o benefício e verificamos o que dá para recuperar dos anos anteriores. Faça um diagnóstico conosco.

Picture of Camilla Gomes

Camilla Gomes

Camilla Gomes é contadora (CRC-SP 337616/O) com mais de 10 anos de atuação e sócia da FOCC Contabilidade, que é especialista em serviços médicos.

Compartilhar :

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Tem alguma pergunta?

Somos uma equipe de especialistas prontos para falar com você.